Cefaleia Tipo Tensional - IASP

The International Association for the Study of Pain

IASP: Associação Internacional para Estudo da Dor  Missão e visão
Declaração de visão: trabalhando juntos para alívio da dor em todo o mundo  Missão: A IASP reúne cientistas, médicos, profissionais de saúde e formuladores de políticas para estimular e apoiar o estudo da dor e para traduzir esse conhecimento em alívio da dor em todo o mundo.

Santa Apolonia compartilha o texto sobre Cefaleia Tensional  IASP que muitas vezes é confundida ou uma comorbidade com a DTM.

 

Definição:

A cefaleia do tipo tensional (CTT) é o tipo mais comum de cefaleia. Segundo a Classificação Internacional das Cefaleias, ela pode ser dividida em três subtipos de acordo com a frequência da cefaleia:

  1. (1) CTT episódica infrequente (<12 dias de cefaleia/ano),
  2. (2) CTT episódica frequente (12-180 dias de cefaleia/ano) e
  3. (3) CTT crônica (>180 dias de cefaleia/ano).

Epidemiologia:

A prevalência ao longo da vida da CTT episódica é de quase 80%, e da CTT crônica de 3%. Mulheres são discretamente mais acometidas que os homens. O pico da idade de início está entre 35 e 40 anos, e a prevalência reduz-se com a idade em ambos os sexos.

Características Clínicas:

A CTT caracteriza-se por crises de cefaleia de leve a moderada intensidade, geralmente descrita com sendo em pressão ou aperto (não-pulsátil), que não pioram com a atividade física rotineira, como caminhar ou subir escadas. A dor dura de horas a dias e é predominantemente bilateral.

Fisiopatologia:

A CTT origina da combinação de disfunção miofascial e desequilíbrio nociceptivo central.

Acredita-se que a evolução do subtipo episódico para o subtipo crônico deve-se ao aumento da disfunção nociceptiva central.

Diagnóstico Diferencial:

O diagnóstico de CTT é baseado na anamnese, por meio da descrição das características da cefaleia, e na normalidade do exame neurológico.



A palpação manual da musculatura pericraniana pode revelar aumento da sensibilidade dolorosa, sendo esse o achado mais comum em CTT.

Um raciocínio diagnóstico adicional deve ser considerado em pacientes que apresentem outros sintomas além da cefaleia. 

Tratamento:

  • tratamento farmacológico agudo:      Analgésicos simples e anti-inflamatórios não-esteroidais (AINES) são efetivos no tratamento agudo da cefaleia.
  • tratamento farmacológico preventivo: Antidepressivos tricíclicos (especialmente a amitriptilina) devem ser a primeira escolha no tratamento preventivo da CTT episódica ou crônica.
  • intervenções não farmacológicas:                    O uso de intervenções não-farmacológicas como o relaxamento muscular e o biofeedback eletromiográfico tem suporte clínico sólido no tratamento da CTT e tem taxas de sucesso comparadas ao tratamento preventivo farmacológico. 

Estes 3 itens  podem ser usadas sozinhos ou em combinação dependendo da frequência da cefaleia e da preferência individual.As estratégias terapêuticas devem ser adaptadas para cada caso de acordo com o relato do paciente e o diário de cefaleia.

CTT X Cefaleia por uso excessivo de medicação

Como a CTT crônica está frequentemente associada ao uso excessivo de medicações analgésicas, isto deve ser levado em conta em todos os pacientes com aumento no número de dias de cefaleia (para detalhes, veja o capítulo “Cefaleia por uso excessivo de medicação”).

DTM

Referências [1] Fumal A, Schoenen J. Tension-type headache: current research and clinical management. Lancet Neurol 2008;7:70–83. [2] Headache Classification Subcommittee of the International Headache Society. The international classification of headache disorders, 2nd ed. Cephalalgia 2004;24(Suppl 1):1–160. [3] Loder E, Rizzoli P. Tension-type headache. BMJ 2008;336:88–92. Copyright © 2011 International Association for the Study of Pain [4] Lyngberg AC, Rasmussen BK, Jørgensen T, Jensen R. Has the prevalence of migraine and tension-type headache changed over a 12- year period? A Danish population survey. Eur J Epidemiol. 2005;20(3):243–9. [5] Rasmussen BK, Jensen R, Schroll M, Olesen J. Epidemiology of headache in a general population: a prevalence study. J Clin Epidemiol 1991;44:1147–57. Tradução: Dr. José Geraldo Speciali / Dra. Fabíola Dach / Dr. Roberto Setlin / Dra. Karen Ferreira