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Estima-se que 30% das pessoas em todo o mundo são acometidas de dor crônica e em sua maioria mulheres por serem mais sensíveis. Centenas de Milhares de pessoas buscam tratamento mas muitas destas acabam bastante desanimadas. Porque têm tratado sua dor com diversos profissionais e com muitos medicamentos sem sucesso.

Uma das razões é o desconhecimento de um conceito novo na medicina:  A Síndrome da Sensibilização Central. Esta síndrome é causa de dores crônicas.  Assim  muitas vezes por falta do conhecimento da causa estas dores não são tratadas corretamente. Sem tratamento adequado as dores aumentam e se complicam.  As pessoas com dor crônica muitas vezes são encaradas pela família e por todos, como pessoas queixosas, que reclamam de tudo.

O processo da Síndrome da Sensibilização Central é físico e não psicológico. Acontece com o aumento na resposta ao estimulo de neurônios periféricos pelo  sistema nervoso central.

Conforme explica o Dr Christopher Sletten da Clínica Mayo:  A Sensibilização Central envolve dois processos  o primeiro é formado pelo sistema nervoso periférico e o segundo pelo sistema nervoso Central.

Contribuição do Sistema Nervoso Periférico : No nosso corpo todos nós temos milhares de sensores nervosos que coletam informações da periferia e as enviam para o cérebro que analisa  e responde adequadamente a estas sensações.

Temos sensores em nossa pele, tecidos internos, músculos, ossos, articulações, ligamentos, dentes, sensores para os 5 sentidos, sensores viscerais, todo nosso corpo é monitorado por sensores periféricos.

Estes sensores monitoram todas estas sensações e as enviam par o cérebro. Então se esta frio buscamos agasalho, se incomodo muda-se a posição, se o intestino da o sinal procura-se o banheiro se uma roupa tem espinhos troca-se a roupa.

Estas sensações não incomodam, em si nem são anormais. São sensações e reações normais para a manutenção da vida.

Mas sob certas circunstâncias, estes sinais, periféricos, podem ser amplificados de uma forma crescente e permanente e percebidos inadequadamente pelo sistema nervoso central.

Estas circunstâncias são por exemplo: Traumas, micro traumas repetitivos, problema posturais no trabalho ou laser, doenças, cirurgia, medicamentos estresse, angustia, privação ou distúrbios do sono, ou outra qualquer causa que leve continuadamente informações sensoriais para o Sistema Nervoso Central, SNC.

Por exemplo:  Uma paciente 42 casada, procurou o serviço de atendimento na Clínica Santa Apolonia com cefaleia tensional e dores nos dentes sem causa aparente. Na anamnese relatou que havia caído no serviço a dois anos e ficou esperando a cirurgia três meses, relatou que não conseguia dormir bem pela dor e impossibilidade de movimento. Depois da cirurgia continuou a ter privação de sono pelo desconforto pós cirúrgico. De la para cá sofre cada vez mais de dores em diversas regiões do corpo, o joelho, o cotovelo, as costas, pescoço dor de cabeça e dor orofacial. Esses sintomas cada vez a incomodam mais. A paciente agora tem a Síndrome da Sensibilização Central

Quando tratamos de dor crônica precisamos além de procurar a causa local que muitas vezes se encontra oculta, olhar para o processo através do histórico do paciente que resultou na Síndrome da Sensibilização Central. A síndrome  causa um super regulação central para informações sensoriais, recebidas dos sensores periféricos.

Então temos as sensações periféricas sendo amplificadas pelo SNC sensibilizado, Esta sensibilização causa respostas inadequadas, que por sua vez podem causar danos nos tecidos adjacentes.  Estes novos danos podem enviar mais sensações periféricas para o cérebro sensibilizado, formando um círculo vicioso..  

Estas informações continuas e persistentes chegam ao cérebro  causando a sensibilização de uma parte do cérebro chamada Cortex Somato Sensorial, ou seja a parte do cortex cerebral responsável por responder as informações sensoriais recebidas do corpo e do meio ambiente. (Somato).

Estas sensações deixam de ser confortáveis e naturais e passam a incomodar e a gerar outras diversas sensações nesta área do corpo. Dor e desconforto crônicos são o  resultado final da síndrome.

Pode haver dores articulares, musculares e viscerais. Pode haver mais dores, cansaço, náuseas, vertigens, incomodos com a luz, com barulhos, temperatura, cheiros, gosto pressão atmosférica ao sentar e etc.
Então o toque da roupa pode parecer uma agressão perigosa para a pele e esta pode começar a coçar e começar haver uma inflamação local de defesa. O intestino na sua função normal começa a incomodar aumenta sua motilidade pode haver cólicas, sindrome do intestino irritável.  

Estas sensações aumentam a sensibilização central crescentemente e  os pacientes buscam desesperadamente por alívio, e ficam mais confusos com o que esta acontecendo consigo mesmo. Procuram diversos especialistas, alergistas, proctologistas, fisioterapeutas, ortopedistas, dentistas, curas alternativas e etc.
 
Mas atenção, este processo que não é de origem psicológica. Porem a sensibilização central  pode levar à depressão e a angustia. Pode levar à privação do sono, a um sono de má qualidade e este, como fator perpetuaste da sensibilização central.  Portanto o processo não é psicológico mas físico sensorial.

Não há nada que afete mentalmente esta pessoa,  este é um ponto importante de entender porque os pacientes se sentem desacreditados por seus médicos e por sua família.
 
A sensibilização central nos exames complementares é invisível não podemos ver ou medir os aumentos das sensações mas podemos fazer testes subjetivos para avaliação.

Com devemos encarar e tratar este processo?

Combatendo os quatro Fatores Contribuintes principais da Sensibilização Central:  Químicos, Comportamentais, Emocionais, e Físicos.

1 . Fatores Contribuintes Químicos:  Medicamentos são prescritos para para combater os sintomas, mas quantos mais medicamentos são dados mais confuso fica o cérebro e a química da do.
São tomados analgésicos, anti-inflamatórios, pílulas para dormir, anti-histamínicos, que por exemplo  causam tolerância ou seja cada vez mais é preciso anti-histamínicos e se paramos com eles, vem um problema rebote, por exemplo a insônia e a alergia.

Medicamentos para o estômago, estabilizadores de membrana, antidepressivos. É normal os médicos receitarem estas medicações mas é preciso avaliar se estamos lidando com Sensibilização Central, Dor Crônica,  A dor aguda por outro lado responde bem a estas medicações.

Fatores Contribuintes Comportamentais.  Muitas estes fatores comportamentais são ocasionados pela própria dor crônica, por exemplo a pessoa tem dor na coluna fica angustiada e tem insônia, e quando dorme interrompe o sono por causa da dor isto causa depressão.
O fator químico também pode agravar este fator por exemplo: uma pessoa tem depressão pela dor e falta de sono e o antidepressivo errado e mal administrado causa insônia.  

Outros fatores comportamentais deletérios: A privação do sono por trabalho ou laser, hábitos diários alimentares, hábitos posturais e etc.. Este fatores precisam ser avaliados por profissional habilitados, e combatidos é preciso haver uma mudança no estilo de vida.

Fatores Emocionais.: Os fatores emocionais deletérios são: estresse, ansiedade, depressão que precisam ser tratados porque cada vez que o cérebro esta sob estresse emocional vai experimentar mais estímulos sensoriais e mais sofrimento físico.  As emoções são a resposta a um problema.e não a causa, mas também são fatores contribuintes.

Fatores Físicos:  A falta de condicionamento físico é um fator contribuinte muito importante. Pacientes com dor crônica quando estão bem são muito ativos e exageram em suas atividades físicas mas quando se sentem mal interrompem o condicionamento físico. O condicionamento físico regular e bem orientado é fundamental para o tratamento da Sensibilização central.


O programa de tratamento é um programa de reabilitação da dor.

Na clínica Mayo dura três semanas e todos os dias das 8:00 as 16:30. Estes fatores contribuintes são pensados e avaliados rotineiramente.  Os pacientes são conduzidos a deixarem medicações inadequadas a lidar com o emocional, com o condicionamento físico, ter boa higiene comportamental para poderem prosseguir com suas vidas mais satisfatoriamente.  Depois de três semanas saem da clínica com 40% menos de sintomas, 50% mais de condicionamento físico, e 60% de bons hábitos comportamentais.

Estas condições só podem ser conseguidas se o paciente percebe aceita  e adere ao plano de tratamento proposto com empenho pessoal.

Num atendimento ambulatorial as vezes é necessário recursos multiprofissionais de encaminhamento dirigidos pelo clínico responsável.

Muitas vezes o paciente é encaminhado ao  Neurologista para sair da dependência química,  ao Fisioterapeuta para resolver problemas músculo esqueletais, ao especialista em Medicina ou Odontologia do Sono para descartar e resolver se sono for um fator contribuinte, ao profissional de educação física para acompanhar o condicionamento Físico.  

No Santa Apolonia, temos condições orientar o tratamento no consultório e encaminhar a outro profissional quando necessário. Desta maneira o paciente recebe o tratamento necessário e aprende os princípios da higiene da dor para combater a sensibilização Central.  

Uma vez que o paciente aprende estes princípios ele continua a coloca-los em prática na seu dia a dia.  Cada dia melhor, encerrando o ciclo vicioso em que se encontrava.

Não há maneira médica de cortar a Sensibilização Central, mas se cortarmos a influencia dos fatores contribuintes a Sensibilização Central vai diminuindo gradativamente.

Por isto considerar este modelo de tratamento parece e é  dificil de gerir, mas fora disto não há nada mais que possa ser feito, para pacientes com dor crônica por Sensibilização Central.


Dr. Mario de Sousa e Silva Junior

Dor Orofacial -  Disturbios Temporo Mandibulares

Odontologia na Medicina do Sono