Relação ente dor orofacial e sono.

A dor pode ser aguda e crônica.

Poucos estudos relacionam a dor aguda com o sono. Alguns trabalhos, não dedicados a dor orofacial, demonstram que  dor aguda associa-se a queixas de sono importantes agravadas em ambientes hospitalares.

Em resposta ao estresse traumático, diversas manifestações bioquímicas e fisiológicas ocorrem como o aumento da função adrenérgica, a inflamação, a imunossupressão, as alterações neuro-humorais. Estas manifestações causam também pertubações no sono. As alterações no sono deixam os pacientes mais suscetíveis a dor, aumentando a resposta ao estresse traumático. 

A polissonografia em pacientes submetidos a cirurgia mostra redução do tempo total de sono, fragmentação de sono e aumento de micro e macro despertares.

A privação aguda de sono REM e NREM associa-se a hiperalgesia.  

A privação crônica de sono tem efeito sobre a função neuro-endócrina. Pacientes com privação crônica de sono  têm normalmente  um pior prognóstico perante um quadro de dor aguda, e na agudização da dor resultante de lesão cirúrgica.

A  associação ente a dor crônica na região orofacial e queixas de sono estão bem documentas.

As dores crônicas que mais se associam as perturbações de sono são as dores músculo esqueléticas, as DTM.

As dores neurogênicas e neuropáticas também mas com menor importância e frequência.

Abordagem Clínica

A DTM ou Disfunção Temporo Mandibular é uma disfunção musculoesquelética, quando crônica,  torna-se um desafio diagnóstico.

A DTM e a Dor Orofacial cursam normalmente com distúrbios do sono.

Podem ser exacerbadas pela posição de dormir, e, fugindo desta posição, o paciente pode buscar uma posição de decúbito dorsal que favorece os distúrbios respiratórios do sono. Estes por sua vez, podem ter como consequência o Bruxismo do Sono, sendo, estes, uma de suas causas mais comuns.

O Bruxismo do sono quando associado a dor orofacial sugere distúrbios de sono.

O paciente com movimentos periódicos do sono, insônia, Síndrome da Resistência  das Vias aéreas Superiores, MPM Sindrome dos Movimentos Periódicos dos Membros  muitas vezes apresentam dor crônica, ente elas a fibromialgia pela Síndrome da Sensibilização Central.

A dor neuropática mais freqüente entre os 40 e 65 anos geralmente é silenciada durante o sono, pode ocorrer e ser exacerbada pela insônia,  pelos disturbios respiratório do sono, pelo movimentos periódicos do sono, pela privação de sono; enfim, pelo sono que não tenha as três características do bom sono: O ritmo, a quantidade e a qualidade.

O diagnóstico da dor orofacial é clínico a avaliação dos doentes deve incluir a identificação dos fatores predisponentes:  ansiedade, depressão, automedicação, uso de drogas lícitas e ilícitas, sedentarismo, tendência genética ...

Além destes fatores, é importante descartar os  distúrbios do sono que interferem na qualidade do sono como os distúrbios respiratórios ente outros

Também distúrbios do sono que interferem  na quantidade e ritmo do sono, como a insônia e a privação de sono e distúrbios do  ritmo circadiano do sono.





 

Tratamento da dor Orofacial

O tratamento clínico da dor orofacial deve priorizar o alívio das queixas noturnas precocemente, para evitar um quadro crônico. A identificação do fator predisponente desencadeante (primário) permite uma intervenção orientada a causa.

Nos doentes crônicos o tratamento e o alívio dos sintomas da dor orofacial esta associado a melhor da qualidade de vida.

A qualidade de vida na vigília:   o esporte, a vida social e espiritual; cuidar da saúde, da obesidade e outras comorbidades; tratar os disturbios emocionais e o controle das drogas licitas ilícitas, evitar a automedicação e etc.  

A qualidade de vida no sono:  Buscar o diagnóstico e a terapia de prováveis distúrbios do sono, 

A terapia medicamentosa  deve  evitar medicamentos interfiram na qualidade do sono.

Os antiinflamatórios não esteróides não produzem alterações na estrutura do sono mas os opioides estão associados a uma diminuição do sono lento e um aumento das perturbações respiratórias.

Os relaxantes musculares também predispõe a distúrbios respiratórios do sono. Os hipnóticos de curta duração não benzodiazepínicos, as drogas Z,  podem ajudar nas insônias associadas a dor, alteram à estrutura do sono e devem ser usados por curtos períodos.

Os benzodazepínicos que causam dependência e tolerância  alteram a estrutura do sono  predispõe a distúrbio respiratórios do sono.

Os antidepressivos e ansiolíticos, conforme os efeitos colaterais, podem predispor a dor muscular, ao bruxismo e disturbios do sono. São as vezes necessários e podem ser favoráveis ou desfavoráveis conforme a droga e o horário de administração.

A Amitriptilina, por exemplo, é útil na dor crônica, favorece a sonolência e a modulação da dor pela elevação da serotonina em fendas sinápticas específicas, mas causa alguma alteração na arquitetura do sono, a Velanfaxina se admnistrada a noite, causa insônia, predispõe ao bruxismo e a um sono fragmentado e agitado.

Para o dentista  a prescrição de placas ou aparelhos orais estabilizadores  no caso de DTM e Bruxismo é de grande vallia associada ao aconselhamento e outras diversas formas de terapia com a fisioterapia por exemplo.

Caso haja suspeita diagnóstica, o Cirurgião Dentista  pode identificar e sugerir o tratamento para  o portador de SAOS ou outro distúrbio do sono. O  encaminhamento médico para avaliação das vias aéreas superiores e polissonografia faz parte do tratamento multidisciplnar.

Os Aparelhos Intra Orais ( AIO) de avanço mandibular, associados ou não ao Bruxismo, são muito eficazes para os distúrbios do sono respiratórios  em casos selecionados. 

O padrão ouro para o tratamento dos DRS é o CPAP em casos moderados e graves. O paciente que necessita do CPAP pode ser ainda ser indicada a placa estabilizadora oral para os casos de Bruxismo Idiopático.

O tratamento da dor crônica é na maioria das  vezes é multiprofissional e inclui a fisioterapia, a psiquiatria, psicologia, o pneumologista, a fonoaudióloga, o ortodontista o otorrino e etc.